Sustentabilidade ? Não: economia solidária.

EconomiaSolidariaHá muitos anos venho trabalhando nesse campo de buscar levar uma nova perspectiva no processo de tomada de decisões onde haja um melhor equilíbrio sistêmico nos impactos. Costumam chamar isso de sustentabilidade nos negócios.

Recentemente, por conta estar atuando em projetos junto a organizações apoiadas pela Fundação Banco do Brasil, tive a oportunidade de tomar contato com iniciativas no campo da Economia Solidária. Até então, o termo me soava como algo ligado a moedas sociais, economia das trocas, pequenos empreendedores rurais, etc.

Em meados do ano passado, fomos apresentados à UNISOL Brasil – Central de Cooperativas de Empreendimentos Solidários, no contexto do Programa Terra Forte – Programa de Agroindustrialização em Assentamentos da Reforma Agrária, visando uma atuação conjunta na elaboração de um plano de fortalecimento institucional dos projetos a serem financiados pelo Programa. Logo de cara, percebi que o que sabia de Economia Solidária estava muito limitado.

Mergulhando à fundo nesse movimento, notei que era muito maior. Ele traz, desde seus princípios, tudo o que a sustentabilidade propõe, porém com uma ênfase ainda maior na questão de emancipação das pessoas a partir de sua atividade produtiva.

Tomei contato com empreendimentos da economia solidária que chegam a faturar acima de R$ 200 milhões por ano, advindos de empresas que foram recuperadas por seus funcionários depois de quase, ou falidas. Ao mesmo tempo, apoiam empreendedores individuais, microempresas, cooperativas e associações urbanas e rurais, indústrias e serviços. Fiquei perplexo.

Tive contato com as equipes da UNISOL e de empresas que seguem a esses princípios e mais ainda minha perplexidade aumentava na medida em que via, ali na minha frente, todo um universo de negócios concretos e possibilidades se descortinar. Lideranças que não sobem nos palcos conhecidos, mas que estão fazendo uma profunda e silenciosa transformação no modelo de desenvolvimento econômico no Brasil.

A começar pelo modelo de organização do movimento, que partindo de informações públicas pude traduzir no desenho apresentado (abaixo – clique sobre a figura que ela amplia e fica mais visível), onde se vê um universo de atores da sociedade atuando em conjunto para um mesmo propósito explicitado na Carta de Princípios do movimento.

SistemaEconomiaSolidariaInteragindo com eles ao longo desses meses, vi que o movimento não se limita ao Brasil. Está em praticamente todos os cantos do mundo, criando especializações, novas formas de autogestão, novos mecanismos de acesso ao crédito de uma forma mais democrática e condizente com os princípios. Navegando pelo site da Secretaria Nacional da Economia Solidária e depois ao Fórum Brasileiro de Economia Solidária, pude usar uma ferramenta neste último chamada de “Farejadores” que permite vasculhar as mais de 22.000 iniciativas mapeadas no Brasil e o mapa da Economia Solidária no mundo.

Depois de todos esses aprendizados, comecei a me perguntar o porque destas informações nunca terem chegado até mim ? Porque as empresas tradicionais não conseguem avançar na dimensão social da sustentabilidade na mesma velocidade que avançam na ambiental (mesmo que lentas, essa última, mas avançando)?

Ao final, cheguei a uma suposta conclusão: em que pese se fale de sustentabilidade em todos esses casos, a Economia Solidária traz os indivíduos e o meio ambiente em pé de igualdade, a partir das atividades produtivas. Para eles, na economia tradicional o capital determina o indivíduo e na Economia Solidária os indivíduos é que determinam o capital. Há, portanto, uma diferença de essência em relação a quem manda em quem. E essa faz, a meu ver, toda a diferença.

É isso aí.